sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

Como comunicar com idosos


   Quantas vezes deu por si a ter dificuldade em falar com o seu familiar idoso? Quantas vezes não conseguiu transmitir a ideia que pretendia ou conversar sobre um assunto importante?

Comunicar com idosos significa fazê-lo com um interlocutor que poderá, ou não, ter algumas dificuldades acrescidas na interpretação dos vários sinais da comunicação. Significa a necessidade de se ter em conta o contexto em que o interlocutor se insere, tal como a história e vivências dessa pessoa. Significa compreender que há um resultado acumulado de experiências, muitas delas decorridas em momentos muito distintos do actual.

Modificações biológicas  físicas ou morfológicas, modificações psicológicas e modificações sociais interferem com aquela que é a forma de percepcionar o ambiente e, especificamente, a comunicação que é dirigida ao idoso.

Alterações do envelhecimento que constituem barreiras à comunicação

 O envelhecimento pauta-se por mudanças a vários níveis. São elas físicas, morfológicas, orgânicas, cognitivas, da personalidade, sociais, etc. São algumas que podem constituir barreiras à comunicação eficaz:
- as alterações sensitivas podem complicar a abordagem a um idoso ao impedir que o mesmo receba toda a informação verbal e não verbal. Como exemplos temos as dificuldades de audição e a pior acuidade visual, que surgem com frequência;

- alterações na amplitude articular e força muscular impedem muitas vezes o idoso de se posicionar para melhor perceber ou abordar outras pessoas. Da mesma forma, a linguagem não verbal utilizada pelo idoso fica limitada;

- com o aumento da idade a probabilidade do sénior ter algum problema de saúde é crescente. Este aspecto cria uma barreira maior ou menor à comunicação consoante a tipologia da doença, se está controlada com apoio terapêutico ou farmacológico, se já há alguma adaptação do idoso à sua nova condição, se é temporária ou permanente, etc;

- a medicação, dependendo da tipologia e quantidade, pode ser uma importante barreira;

- variações da personalidade são comuns: maior resistência à mudança, menor paciência, maior ansiedade, poderão dificultar a abordagem. As alterações ao nível da auto-imagem e o modo como o sénior lida com o envelhecimento são aspectos cruciais, podendo fazer com que a comunicação seja fluída ou torná-la lenta e pouco eficaz;

- a natural diminuição da rede social (pela perda de amigos ou familiares), com a perda de papéis sociais (reforma, deixar de ser o cuidador dos filhos), poderão implicar em menor disponibilidade para o relacionamento com outros, exacerbando o isolamento e diminuindo a predisposição para efectuar o esforço necessário à compreensão da comunicação.

Estereótipos relativos aos idosos que comprometem a comunicação

Além das modificações ditadas pelo envelhecimento, por doença ou natural, deparámo-nos constantemente com outro aspecto que em muito limita a eficácia do contacto com os séniores: os estereótipos e preconceitos.
Quantas vezes vemos outros a evitar o contacto com idosos por razões infundadas ou simples desconhecimento?

Devemos ter em conta que:
  • nem todos os idosos são doentes;
  • nem todos os idosos possuem má audição ou má visão;
  • nem todos são retrógrados ou pouco abertos a novos conhecimentos ou experiências;
  • nem todos os idosos têm dificuldade em compreender novos conceitos, fazer aprendizagens ou discutir questões tecnológicas/vanguardistas;
  • nem todos os idosos são inactivos profissionalmente;
  • nem todos os idosos são isolados ou têm mau feitio;
  • nem todos os idosos são dependentes da ajuda de outros (nomeadamente financeira);
  • nem todos os idosos (muito poucos, até) gostam de ser tratados de modo que os infantilize.

 Esquecer as individualidades do idoso com quem se quer comunicar e assumir que tem as mesma característica que qualquer outra pessoa da sua idade é profundamente errado e levará à menor participação deste. Trata-se de alguém com muitos anos de vivências variadas, com uma personalidade construída em função dessas experiências e que entendo o mundo e quem o aborda segundo essa construção própria. Nenhum idoso passou exactamente pelas mesmas experiências que outro de idade igual ou aproximada.

Dicas para uma comunicação eficaz com o idoso

Será que é impossível transmitir uma ideia, conceito ou ter uma conversação eficaz com um idoso? Com certeza que não!
É importante percebermos que a comunicação resulta do modo como cada interlocutor a entende.

Então como conseguir comunicar eficazmente com o familiar idoso ou um sénior com que se cruze em qualquer situação? Aqui ficam algumas dicas:
  • Posicione-se em frente e à mesma altura. Desta forma conseguirá captar a sua atenção e envolver o idoso na conversa. Lembre-se de manter contacto visual para que a pessoa perceba que é com ela que está a falar.

  • Ajuste o volume da sua voz e fale com clareza. Poderá ter de falar mais alto caso esteja com alguém que tem dificuldade de audição. Também se poderá dar o caso de ter de falar mais lentamente ou até mais baixo se houver alguma condição que a isso obrigue. Lembre-se que nem todos os idosos ouvem mal. Tenha sempre em atenção a boa dicção e fale de modo claro e conciso.

  • Utilize pistas visuais. Recorra aos gestos, movimentos e objectos se isso se adequar ao tema. Mas cuidado: não seja brusco, sob risco de assustar e criar afastamento.
  • Seja cordial e respeitador. Os idosos não têm todos os mesmo gostos ou vivências, como já vimos. Por esta razão, não assuma que sabe tudo sobre a pessoa com quem fala apenas porque é sénior. Mantenha um comportamento cordial e de grande respeito enquanto percebe até onde é que poderá ir.

  • Mantenha o bom humor e seja positivo.

  • Trate o idoso como um adulto que é, nunca fale como se fosse para uma criança.

  • Controle a interferências/ruídos envolventes e a iluminação no contexto. Muito barulho, demasiada claridade ou outras fontes de distracção irão limitar a experiência de comunicação com o idoso. Evite confusão de modo a que a atenção esteja focada em si e naquilo que quer transmitir.

  • Avalie a necessidade de tecnologias de apoio como: Próteses Auditivas ou Óculos. Será que o idoso com quem lida não o percebe porque ouve ou vê mal? Pondere uma visita ao médico se achar que existem alterações a este nível.

  • Fale sobre temas significativos para o idoso e respeite as diferenças. Aceite que o idoso poderá ter uma opinião diferente da sua, fruto das próprias experiências ao longo dos anos de via. Do mesmo modo, lembre-se que para cativar a atenção e participação deverá abordar temas significativos para o idoso. Se não sabe quais são, pergunte. Só depois de facilitar a comunicação é que deverá introduzir temas novos, se necessário.

  • Mantenha-se consciente dos problemas de saúde da pessoa idosa com quem comunica.


Conclusão

Para comunicar eficazmente com o idoso necessita de ter em atenção vários aspectos e manter-se consciente de que a sua percepção do ambiente é resultado da soma de todas as vivência nos muitos anos de vida. Verá que, dando atenção a todos estes detalhes e contribuindo genuinamente para uma comunicação positiva, os benefícios de poder contactar com um sénior são imensos.

Comunicar com o idoso é uma forma de enriquecimento e de aprendizagem que deve ser valorizada. Sabendo, por exemplo, que em muitos campos se consegue perceber a existência de ciclos – como na moda ou na economia – nada melhor do que conversar com quem já viveu uma longa parte do processo. Esta informação, cruzada com os conhecimento actuais, possibilita um excelente modo de antecipação de tendências.

Comunicar com o idoso é igualmente necessário para garantir o seu próprio bem-estar. Portanto, se pretende promover a qualidade de vida dos idosos com quem lida, é importante aplicar as várias dicas aqui apresentadas. Irá gerir melhor os conflitos e ser capaz de influenciar positivamente os séniores à sua volta.

Porque temos familiares e amigos idosos que nos são queridos, porque a população está claramente envelhecida (com tendência para se acentuar) e porque cada um de nós viverá mais tempo do que seria esperado há algumas décadas, é importante que sejamos capazes de compreender as especificidades da comunicação com os séniores.

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